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O que ninguém te conta sobre ultraprocessados na gestação (e como isso pode impactar seu bebê para a vida toda)


Se você está grávida (ou planejando engravidar), provavelmente já ouviu que "alimentação saudável é importante". Mas o que a ciência mais recente realmente mostra quando olhamos especificamente para o consumo de alimentos ultraprocessados durante a gestação?

Um grande estudo publicado recentemente ajuda a responder essa pergunta de forma bastante clara — e os achados são importantes tanto para a saúde materna quanto para o desenvolvimento do bebê.



O que são alimentos ultraprocessados?


Alimentos ultraprocessados são formulações industriais feitas majoritariamente de substâncias refinadas e aditivos, com pouco ou nenhum alimento integral em sua composição.

Alguns exemplos comuns incluem:

  • Farinha branca e amidos refinados

  • Açúcares refinados (como xarope de milho rico em frutose)

  • Óleos vegetais refinados

  • Corantes, emulsificantes e aromatizantes artificiais

Esses produtos são desenvolvidos para serem altamente palatáveis, baratos e com longa vida de prateleira, mas oferecem pouco valor nutricional real.


O que a ciência avaliou?


Uma análise abrangente de 22 estudos, publicada entre 2019 e 2024, avaliou a relação entre o consumo de ultraprocessados durante a gestação e diversos desfechos de saúde para mãe e bebê. Referência: PMID 39662587



Os estudos incluíram dezenas de milhares de gestantes acompanhadas ao longo da gravidez e, em alguns casos, também após o nascimento das crianças.


Principais impactos para a saúde da mãe


Os resultados chamam atenção:

  • 48% maior risco de diabetes gestacional em mulheres com maior consumo de ultraprocessados.

  • Entre as mulheres que desenvolveram diabetes gestacional, aquelas que consumiam mais UPFs apresentaram pior controle glicêmico.

  • 28% maior risco de pré-eclâmpsia, com base em quatro grandes estudos de coorte somando mais de 112 mil participantes.

  • 31% maior chance de ganho de peso acima do recomendado durante a gestação.

  • Biomarcadores mostraram:

    • Menores níveis de carotenoides, vitamina A, selênio e folato

    • Maiores níveis de inflamação e estresse oxidativo

Ou seja: não se trata apenas de calorias, mas de qualidade nutricional e impacto metabólico real.



E os impactos para o bebê?


Os efeitos não se limitam à gestação:

  • Maior consumo materno de ultraprocessados foi associado a crescimento fetal mais lento, incluindo menor circunferência da cabeça e comprimento do fêmur.

  • Entre 4 e 5 anos de idade, crianças cujas mães consumiram mais UPFs apresentaram:

    • Piores escores em testes verbais

    • Mais sintomas associados ao TDAH

  • Maior risco de adiposidade e alterações metabólicas na infância.

Esses dados reforçam que a alimentação materna tem impactos duradouros, indo muito além do nascimento.


O que explica esses resultados?


Um dos principais mecanismos observados foi a substituição de alimentos nutritivos por ultraprocessados.

Nos 9 estudos que avaliaram qualidade global da dieta, as mulheres com maior consumo de UPFs ingeriam significativamente menos:

  • Proteínas

  • Fibras

  • Zinco, magnésio e potássio

  • Vitaminas A, C, D, B12 e folato

Na prática, isso significa mais calorias vazias e menos dos blocos de construção essenciais para o desenvolvimento do bebê.


Qual é a mensagem prática?

A ciência reforça algo simples, mas poderoso:

Qualidade alimentar importa.

Trocar ultraprocessados por alimentos de verdade — mesmo que de forma gradual — pode ter impactos profundos na saúde da mãe e no desenvolvimento do bebê.

E aqui vai um ponto importante: isso não é sobre perfeição.


Cada refeição com mais alimentos naturais, cada escolha um pouco melhor, já faz diferença. Especialmente em um cenário em que os alimentos estão mais caros, o foco deve ser em progresso possível, não em dietas rígidas ou inalcançáveis.



💛 Como colocar tudo isso em prática, sem radicalismo

Se ao ler esses dados você pensou: “Ok, faz sentido… mas como aplicar isso no dia a dia real da gestação?”, saiba que essa é exatamente a dúvida da maioria das mulheres.

Foi por isso que criei o Mamãe Leve.


O Mamãe Leve é um programa pensado para gestantes que querem:

  • Comer bem sem dietas rígidas

  • Entender a ciência por trás das escolhas alimentares

  • Ter receitas práticas e cardápios possíveis, mesmo com cansaço, enjoo ou rotina corrida

  • Cuidar da própria saúde e já investir na saúde do bebê


Lá, você aprende a priorizar alimentos de verdade, reduzir ultraprocessados com equilíbrio, e transformar conhecimento em ação — sem culpa e sem perfeccionismo.


Conclusão

Este conjunto robusto de estudos deixa claro que reduzir o consumo de ultraprocessados durante a gestação não é apenas uma recomendação genérica — é uma estratégia baseada em evidência para proteger a saúde materna e favorecer o desenvolvimento infantil.

A boa notícia? Pequenas mudanças consistentes, priorizando alimentos simples e nutritivos, já têm potencial de gerar grandes benefícios.

Se você está grávida, saiba: cada escolha conta — e seu esforço vale muito a pena.

Este conteúdo tem caráter educativo e não substitui acompanhamento individualizado com nutricionista ou profissional de saúde.

 
 
 

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