O que ninguém te conta sobre ultraprocessados na gestação (e como isso pode impactar seu bebê para a vida toda)
- Marina Morais

- há 2 horas
- 3 min de leitura

Se você está grávida (ou planejando engravidar), provavelmente já ouviu que "alimentação saudável é importante". Mas o que a ciência mais recente realmente mostra quando olhamos especificamente para o consumo de alimentos ultraprocessados durante a gestação?
Um grande estudo publicado recentemente ajuda a responder essa pergunta de forma bastante clara — e os achados são importantes tanto para a saúde materna quanto para o desenvolvimento do bebê.
O que são alimentos ultraprocessados?
Alimentos ultraprocessados são formulações industriais feitas majoritariamente de substâncias refinadas e aditivos, com pouco ou nenhum alimento integral em sua composição.
Alguns exemplos comuns incluem:
Farinha branca e amidos refinados
Açúcares refinados (como xarope de milho rico em frutose)
Óleos vegetais refinados
Corantes, emulsificantes e aromatizantes artificiais
Esses produtos são desenvolvidos para serem altamente palatáveis, baratos e com longa vida de prateleira, mas oferecem pouco valor nutricional real.
O que a ciência avaliou?
Uma análise abrangente de 22 estudos, publicada entre 2019 e 2024, avaliou a relação entre o consumo de ultraprocessados durante a gestação e diversos desfechos de saúde para mãe e bebê. Referência: PMID 39662587

Os estudos incluíram dezenas de milhares de gestantes acompanhadas ao longo da gravidez e, em alguns casos, também após o nascimento das crianças.
Principais impactos para a saúde da mãe
Os resultados chamam atenção:
48% maior risco de diabetes gestacional em mulheres com maior consumo de ultraprocessados.
Entre as mulheres que desenvolveram diabetes gestacional, aquelas que consumiam mais UPFs apresentaram pior controle glicêmico.
28% maior risco de pré-eclâmpsia, com base em quatro grandes estudos de coorte somando mais de 112 mil participantes.
31% maior chance de ganho de peso acima do recomendado durante a gestação.
Biomarcadores mostraram:
Menores níveis de carotenoides, vitamina A, selênio e folato
Maiores níveis de inflamação e estresse oxidativo
Ou seja: não se trata apenas de calorias, mas de qualidade nutricional e impacto metabólico real.

E os impactos para o bebê?
Os efeitos não se limitam à gestação:
Maior consumo materno de ultraprocessados foi associado a crescimento fetal mais lento, incluindo menor circunferência da cabeça e comprimento do fêmur.
Entre 4 e 5 anos de idade, crianças cujas mães consumiram mais UPFs apresentaram:
Piores escores em testes verbais
Mais sintomas associados ao TDAH
Maior risco de adiposidade e alterações metabólicas na infância.
Esses dados reforçam que a alimentação materna tem impactos duradouros, indo muito além do nascimento.
O que explica esses resultados?
Um dos principais mecanismos observados foi a substituição de alimentos nutritivos por ultraprocessados.
Nos 9 estudos que avaliaram qualidade global da dieta, as mulheres com maior consumo de UPFs ingeriam significativamente menos:
Proteínas
Fibras
Zinco, magnésio e potássio
Vitaminas A, C, D, B12 e folato
Na prática, isso significa mais calorias vazias e menos dos blocos de construção essenciais para o desenvolvimento do bebê.
Qual é a mensagem prática?
A ciência reforça algo simples, mas poderoso:
Qualidade alimentar importa.
Trocar ultraprocessados por alimentos de verdade — mesmo que de forma gradual — pode ter impactos profundos na saúde da mãe e no desenvolvimento do bebê.
E aqui vai um ponto importante: isso não é sobre perfeição.
Cada refeição com mais alimentos naturais, cada escolha um pouco melhor, já faz diferença. Especialmente em um cenário em que os alimentos estão mais caros, o foco deve ser em progresso possível, não em dietas rígidas ou inalcançáveis.

💛 Como colocar tudo isso em prática, sem radicalismo
Se ao ler esses dados você pensou: “Ok, faz sentido… mas como aplicar isso no dia a dia real da gestação?”, saiba que essa é exatamente a dúvida da maioria das mulheres.
Foi por isso que criei o Mamãe Leve.
O Mamãe Leve é um programa pensado para gestantes que querem:
Comer bem sem dietas rígidas
Entender a ciência por trás das escolhas alimentares
Ter receitas práticas e cardápios possíveis, mesmo com cansaço, enjoo ou rotina corrida
Cuidar da própria saúde e já investir na saúde do bebê
Lá, você aprende a priorizar alimentos de verdade, reduzir ultraprocessados com equilíbrio, e transformar conhecimento em ação — sem culpa e sem perfeccionismo.
Conclusão
Este conjunto robusto de estudos deixa claro que reduzir o consumo de ultraprocessados durante a gestação não é apenas uma recomendação genérica — é uma estratégia baseada em evidência para proteger a saúde materna e favorecer o desenvolvimento infantil.
A boa notícia? Pequenas mudanças consistentes, priorizando alimentos simples e nutritivos, já têm potencial de gerar grandes benefícios.
Se você está grávida, saiba: cada escolha conta — e seu esforço vale muito a pena.
Este conteúdo tem caráter educativo e não substitui acompanhamento individualizado com nutricionista ou profissional de saúde.





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